Banco reconhece insatisfação dos empregados e afirma que está aprofundando estudos para apresentar uma nova alternativa ao plano
A Caixa Econômica Federal não apresentou uma nova proposta para o Saúde Caixa na rodada de negociação com a Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa), realizada na noite desta terça-feira (25), em São Paulo.
O banco reconheceu a forte insatisfação dos empregados com as duas propostas apresentadas anteriormente e informou que decidiu aprofundar os estudos antes de apresentar um novo modelo à mesa de negociação.
Segundo a Caixa, o objetivo é construir uma alternativa que tenha maior possibilidade de aceitação pelos empregados e, ao mesmo tempo, seja sustentável para o Saúde Caixa e para a própria instituição.
A CEE/Caixa cobrou que uma nova proposta seja apresentada o mais rapidamente possível. A expectativa dos representantes dos empregados era de que o banco levasse uma nova alternativa à mesa nesta rodada, conforme havia sinalizado anteriormente.
“Não basta mudar a forma de cobrança: a Caixa precisa colocar mais recursos no plano, e não trazer propostas que jogam a responsabilidade pelos aumentos dos custos sobre os empregados”, afirmou a coordenadora da CEE/Caixa, Luiza Hansen.
Empregados defendem retomada do 70/30
A representação dos empregados voltou a defender a retomada do modelo de custeio 70/30, pelo qual a Caixa responde por 70% das despesas do Saúde Caixa e os beneficiários pelos 30% restantes.
Também foi reiterada a reivindicação pelo fim do teto de 6,5% da folha de pagamento e dos proventos, que limita a participação financeira da Caixa no custeio do plano.
Para a representação sindical, uma solução sustentável para o Saúde Caixa não pode simplesmente transferir aos empregados, aposentados e pensionistas a responsabilidade pelo aumento dos custos assistenciais.
A mobilização dos trabalhadores também foi destacada durante a negociação. A paralisação realizada no dia 20 teve grande adesão na Caixa e demonstrou a insatisfação da categoria tanto com as propostas apresentadas para o Saúde Caixa quanto com questões relacionadas às condições de trabalho.
Saúde Integral
Apesar de não apresentar uma nova proposta para o Saúde Caixa, a Caixa levou à mesa avanços relacionados à política de Saúde Integral.
A proposta apresentada pelo banco busca ampliar as ações de prevenção e o acompanhamento multidisciplinar, considerando aspectos físicos, emocionais, mentais e sociais da saúde dos empregados.
Entre as iniciativas estão linhas de cuidado voltadas à saúde cardiometabólica, hábitos de vida, saúde mental e problemas osteomusculares, além de ações de prevenção cardiovascular e acompanhamento de dependências, incluindo tabagismo, dependência química e problemas relacionados a jogos.
A Caixa informou que pretende custear os novos programas, que deverão ser detalhados e, caso sejam incorporados ao acordo, poderão entrar em vigor a partir de janeiro.
A representação dos empregados avaliou positivamente o fortalecimento das ações preventivas, mas ressaltou que uma política efetiva de Saúde Integral também precisa enfrentar fatores relacionados à organização e às condições de trabalho, incluindo pressão excessiva, sobrecarga e riscos psicossociais.
Diversidade, equidade e inclusão
Também houve avanços nas discussões sobre diversidade, equidade e inclusão.
A Caixa apresentou propostas para atualizar e ampliar a cláusula do acordo coletivo sobre o tema, incluindo a realização periódica do Censo da Diversidade, enfrentamento aos vieses inconscientes, fortalecimento dos coletivos de diversidade e medidas relacionadas à equidade de gênero, raça e acessibilidade.
O banco propôs ainda capacitações periódicas sobre vieses inconscientes, especialmente para integrantes da alta gestão e participantes de bancas de seleção.
A CEE apresentou uma proposta própria de redação para a cláusula. Após análise, a Caixa informou que há convergência com a linha que vinha sendo construída e ficou acertado que os ajustes serão trabalhados entre as assessorias jurídicas da Caixa e da Contraf-CUT/CEE.
Enquadramento de empregados como PCD
Outro tema discutido foi a reformulação do processo de reconhecimento e enquadramento de empregados como pessoas com deficiência (PCDs), incluindo pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
A proposta prevê um fluxo mais simples, padronizado e transparente, com orientação sobre a documentação necessária, análise pela Medicina do Trabalho e avaliação técnica. Quando necessário, poderá ser realizada avaliação biopsicossocial e multiprofissional.
O processo deverá também identificar necessidades de tecnologia assistiva, adaptação do posto de trabalho e outros recursos necessários ao empregado.
A representação dos trabalhadores considerou a simplificação um avanço, mas cobrou melhorias para evitar subjetividade nos processos de enquadramento, além de reiterar reivindicações como prioridade no teletrabalho e redução de jornada para PCDs.
Ausências permitidas
A Caixa também apresentou propostas para ampliar e flexibilizar algumas regras de ausências permitidas.
Entre as medidas apresentadas estão:
- retirada do limite de 18 anos para utilização das horas destinadas ao acompanhamento de filhos ou enteados em consultas médicas;
- criação da chamada “Ausência Fique Bem”, permitindo que o empregado utilize essas horas para consultas e cuidados com a própria saúde;
- possibilidade de utilização de determinadas licenças, como casamento e paternidade, em até 180 dias após o fato gerador;
- até três dias por ano para realização de exames preventivos de câncer e HPV;
- até dez dias anuais para empregados de alto rendimento convocados para representar o Brasil em competições esportivas ou paradesportivas oficiais, com previsão de implementação em janeiro de 2027.
Durante a discussão, os representantes dos empregados também defenderam que as regras considerem a realidade de trabalhadores que precisam acompanhar pais idosos em consultas e tratamentos.
A chamada “Ausência Fique Bem” foi avaliada positivamente pela representação dos empregados por permitir que o trabalhador cuide da própria saúde sem precisar compensar as horas utilizadas para consultas ou exames.
Negociações continuam
As negociações específicas entre a CEE/Caixa e o banco continuam nesta quarta-feira (26), após a rodada da mesa única da Campanha Nacional dos Bancários entre o Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban).
A CEE/Caixa continuará cobrando respostas para as reivindicações da pauta específica e, principalmente, a apresentação de uma nova proposta para o Saúde Caixa.
Para o movimento sindical, o principal desafio é garantir a sustentabilidade do plano sem aumentar o peso do custeio sobre os empregados, aposentados e pensionistas.
“O Saúde Caixa continua sendo uma questão central desta negociação. A mobilização do dia 20 mostrou o tamanho da expectativa da categoria. Queremos concluir a campanha com um acordo que preserve o plano, seus princípios de solidariedade e o pacto intergeracional e que aumente a responsabilidade da Caixa no seu financiamento”, afirmou Luiza Hansen.
O Sindicato dos Bancários de Naviraí continuará acompanhando as negociações e mantendo os empregados da Caixa informados sobre os próximos passos da Campanha Nacional dos Bancários 2026.
A mobilização continua. Em defesa de um Saúde Caixa solidário, sustentável e com maior responsabilidade da Caixa no seu financiamento.
