Mobilização dos bancários leva bancos a abandonar medidas que dividiam a categoria; negociações continuam na próxima semana em busca de avanços no reajuste, piso, PLR e demais reivindicações
A pressão e a mobilização dos bancários produziram um importante recuo da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) nesta terça-feira (18). Durante nova rodada da Campanha Nacional 2026, realizada em São Paulo, os bancos retiraram da mesa a proposta de reajuste salarial escalonado por faixas e o congelamento do piso da categoria.
A Feeb SP/MS participou das duas mesas de negociação realizadas nesta terça-feira. Na mesa do Comando Nacional dos Bancários, a Federação esteve representada pela vice-presidente, Ana Stela Alves de Lima, e pelo secretário-geral, Reginaldo Breda. Na negociação da CONTEC, participou David Zaia, presidente da Feeb SP/MS e secretário-geral da Confederação.
As propostas retiradas haviam sido duramente rejeitadas pelo movimento sindical desde que foram apresentadas. O modelo defendido anteriormente pela Fenaban previa percentuais diferentes de reajuste conforme a faixa salarial, dividindo os trabalhadores em grupos distintos, além de não prever correção para o piso de ingresso.
Para Ana Stela, o recuo demonstra que a unidade da categoria foi fundamental para barrar uma proposta que representava retrocesso nas negociações.
“Era uma proposta que dividia a categoria e isso é inaceitável. Não aceitaríamos, de modo algum, um acordo que estabelecesse tratamento diferente entre os bancários ou deixasse justamente quem está no piso sem reajuste. A mobilização mostrou aos bancos que a categoria está unida e não vai admitir retirada de direitos”, afirma.
Mobilização pressiona bancos
A mudança de posição da Fenaban ocorre após a forte participação dos bancários nas assembleias realizadas nesta segunda-feira (17) e a aprovação da paralisação nacional de 24 horas prevista para quinta-feira (20).
Apesar da retirada do escalonamento e do congelamento do piso, a Fenaban não apresentou nesta terça-feira um novo índice para o reajuste salarial. As negociações econômicas terão continuidade na próxima semana.
Segundo Reginaldo Breda, o recuo é resultado direto da resposta dada pela categoria às propostas apresentadas pelos bancos.
“Quando os trabalhadores participam das assembleias, se mobilizam e demonstram disposição para lutar, isso se reflete na mesa de negociação. A retirada dessas propostas é importante, mas ainda precisamos avançar no que é central para a categoria: reajuste com aumento real, valorização dos pisos, dos vales, da PLR e uma Convenção Coletiva que preserve e amplie direitos”, destaca.
A categoria reivindica reposição integral da inflação medida pelo INPC, acrescida de 5% de aumento real, além da valorização do piso salarial, dos vales alimentação e refeição e da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), entre outros pontos da pauta econômica e social.
Negociação continua
A próxima rodada, inicialmente prevista para terça-feira (25), foi antecipada para segunda-feira (24), com possibilidade de continuidade das negociações ao longo dos dias seguintes. A expectativa do movimento sindical é de que a Fenaban apresente uma proposta econômica concreta para os principais pontos ainda pendentes da Campanha Nacional.
David Zaia avalia que a retirada das duas propostas representa uma conquista da mobilização, mas ressalta que ainda há questões fundamentais a serem negociadas.
“Os bancos recuaram em dois pontos que eram absolutamente inaceitáveis e isso demonstra a importância da pressão da categoria. Mas a negociação não terminou. Precisamos avançar no reajuste salarial, com reposição da inflação e aumento real, na valorização do piso, dos tíquetes e da PLR, além das demais reivindicações da nossa pauta. É fundamental manter a mobilização para que a próxima rodada traga uma proposta que efetivamente atenda aos bancários”, afirma.
Paralisação está mantida
O recuo da Fenaban não altera a mobilização prevista para esta quinta-feira (20). A paralisação nacional de 24 horas está mantida, com manifestações em todo o país para ampliar a pressão sobre os bancos e cobrar avanços efetivos nas negociações.
Para a Feeb SP/MS, a retirada do reajuste escalonado e do congelamento do piso confirma a importância da organização coletiva e da participação dos trabalhadores. A orientação é manter a mobilização até que haja uma proposta que contemple as principais reivindicações da categoria.
Confira o calendário de negociações da próxima semana:
Dia 24/08, segunda-feira, às 10h, local: Hotel Laghetto
Dia 25/08, terça-feira, às 09h, local: Hotel Laghetto
Dia 26/08, quarta-feira, às 10h, local a confirmar
Dia 27/08, quinta-feira, às 10h, local a confirmar
Dia 28/08, sexta-feira, às 10h, local: Hotel Laghetto
Fonte: Feeb – SP/MS
